Sexta-feira, 15 de Agosto de 1997

Com a chegada das novas tecnologias tudo se alterou, mais parecendo que andamos em passo acelerado, em constante acotovelamento,  ficando mesmo a ideia de que quem não conseguir acompanhar o andamento ficará irremediavelmente para  trás. 

 

A dinâmica é de tal ordem que até há quem tenha a ousadia de pensar (querer) que todos  temos de andar a toque e contento de uma certa filosofia política que já é passado, alicerçada - como foi - em princípios ideológicos que não foram capazes de se adestrar aos tempos modernos. E, por faliu.

 

Ora, para que uma região conheça progressos, não basta agitar a bandeira do capital, dos patrimónios próprios, nem tão pouco de frequentemente haver quem refira que foi o melhor da classe, como se toda a boa e sã massa cinzenta esteja concentrada numa só cabeça.

 

Melhor fora que na candura do que já produziram, de bom e de mau, percebessem que o homem não tem suporte técnico e muito menos físico para renovar as suas capacidade ad eternum, não são máquinas. Envelhecem, e como aquelas também têm desgaste. Sofre da doença do progresso tecnológico.

 

Com efeito, na racionalização do binómio homem-máquina, os japoneses, há alguns anos atrás, dotaram as suas empresas com salas de meditação e cultura, consideradas locais de redução do stress e indução do raciocínio construtivo.  E, por isso, progrediram, hoje gozam de uma economia de bem-estar.

 

Certo dia o chefe de departamento de tecnologia de uma empresa saiu da sala, depois de uma pausa para meditar e olhar para os montes que se viam ao fundo da janela, rejubilou de satisfação porque tinha encontrado a solução para um problema técnico que havia tempo o atormentava.

 

É assim, exactamente assim. Há por aí quem ande atormentado, aos empurrões, a correr atrás de tudo e à procura de nada, com promessas de soluções iguais a zero, para a resolução das muitos problemas que afectam o nosso meio, a nossa região, o nosso país. E, por falta de meditação vivem pseudo-preocupados com os outros esquecendo-se que, as suas preocupações, devem de ir para o que no seu  próprio meio se passa. 

 

A grande diferença reside nas salas partidárias, essas também deveriam ser casas de reflexão, de meditação e cultura e,  mais não são do que locais de escárnio e mal dizer.

  

Recuso-me a discutir, agora e sempre pessoas, mais sou visceralmente contra a política fulanizada, mas não posso deixar reflectir sobre o que corre no burgo; confusões são lançadas como de verdades únicas e razão de ciência se tratassem.  Admitamos que o ainda Presidente da Câmara  não tenha sido, nem seja, um social democrata.

 

Admitamos ainda que o actual candidato do PS, seja um socialista de raiz,  com tradição e plena aceitação na família socialista e o critério de recrutamento foi diferente daquele outro que agora tanto aflige os Socialistas.

 

Por isso é de concluir que as dificuldades do PSD não são, mais do que as do PS, o tempo no-lo vai  dizendo.

 

A breve trecho teremos oportunidade de confrontar a obra realizada pelos social democratas mesmo com erros, e bem assim o que nada fizeram os Socialistas, mas com perfeccionismo.

 

Pela democracia, pelo bem-estar social, pelo reforço das instituições democráticas, tudo. Pelo escárnio e a maledicência, nada. E, livrai-nos Senhor do caos a que os governos socialistas chegaram, só não vê quem não quer; não foi só lá para os balcãs que o socialismo faliu. 

 

 

15 Agosto 1997



publicado por Leonel Pontes às 16:30
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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