Sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

Se pedirmos a alguém: fale-me de activos. Invariavelmente, a resposta dada é; terrenos, edifícios, máquinas, carros, aplicações financeiras, dinheiro. Nunca dizem “pessoas”.

 

Mas, se de pronto questionarmos: e pessoas, o que são? Invariavelmente, também, a resposta é: pessoas são “recursos humanos”. Bem! As pessoas podem ser, e são, uma e outra coisa.

 

São recursos humanos se estivermos a falar de disponíveis para assumir compromissos; emprego, função, trabalho, missão, desafio. Mas, assumido que seja esse desiderato, desde logo as pessoas passam a ser um “activo”.

 

E é importante que se saiba isto? É! É importante porque, é a partir dos activos humanos que se gera riqueza, que se cria e se inova, que se promove o desenvolvimento, o progresso, e até novos activos.

 

Mas, a nossos olhos, há na sociedade portuguesa um fraco sentido de responsabilidade, as pessoas estão sempre à espera que alguém por si assuma responsabilidades, ou lhes diga o que hão-de fazer. Ora com este tipo de acção, em vez de estarmos a ganhar riqueza, para o nosso bolso ou para a sociedade, estar-se-á a empobrecer. Os activos não valorizam o produto e/ou o serviço.

 

Por outro lado, há na cultura anglo-saxónica a figura do good-will que valoriza, dá expressão matemática até, quanto a empresa, ou o organismo valem. As empresas, as organizações, não valem só pelos terrenos, pelas máquinas, mas valem também e sobretudo pelos seus activos humanos. Good-will final.

 

Mas em boa verdade não são só as empresas que valem pelo seu good-will. Todos aqueles que estão afectos a uma função económica, directa ou indirectamente, todo aquele que faz girar uma autarquia, um hospital, aqueles que estas são afectos à administração da coisa pública, todos esses devem, e têm, de acrescentar valor à entidade.

 

Desde a mais pequenina associação de bairro, à maior empresa, passando pelos organismos de administração da coisa pública, as pessoas que fazem girar essas organizações, são activos. E, o que se espera de um activo é que renda, é que produza, é que traga a sociedade valor acrescentado. De outro modo é um peso morto.

 

Aquele que faz acuso perante a entidade judiciária sobre a gestão da sua empresa, empresa que lhe paga, empresa que o valoriza, empresa que lhe dá importância, este “activo” não traz valor acrescentado. O melhor é livrarem-se dele. Ah mas a lei diz que se pode fazer denúncia de crimes públicos. Pode! Mas, acusar porque se quer acusar! Este nem é um “activo”, nem é um “recurso humano”.

 

E aquele outro que aspira a ser governante que recebe e dá descaminho a coisa de suma importância para outrem, aquele que procura na sombra cercear caminhos de outrem, este também não é “activo” nem “recurso humano”.É um sempre em pé, a tudo se adapta. É qualquer coisa sem classificação.

 

Em suma, o país será tanto melhor, tanto mais desenvolvido e de progresso quanto melhores forem os activos que o servem. Se os activos deste país não perceberem isto, que têm de servir a sociedade com lealdade, postura, empenho, trabalho, honestidade, então, continuarão a comer do esforço dos outros e estarão a levar o país cada vez mais para a falência.

 

Leiria, 2009-08-14



publicado por Leonel Pontes às 12:45
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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