Segunda-feira, 08 de Agosto de 2011

Nunca como nos dias de hoje a sustentabilidade foi tão razão de estudo, de reflexão e de análise. Mas qual sustentabilidade? Toda a que monitoriza a vida social, empresarial, desportiva; estatal até, ou qualquer outra actividade. Diga-se, com efeito, que a sustentabilidade está para o meio ambiente, como o oxigénio está para a homeostasia humana.

 

Em tempos de desregulação os planos de sustentabilidade são uma prioridade, acção que deve ser exercida com olhos de ver - e bem! -, onde cada um terá específica função. Um deles centrar-se-á em tudo o que seja curto prazo, o outro deverá ver o médio e longo prazo. Hoje nada pode ser visto num prisma estático; do que tiver de ser, será.

 

Como se compreenderá, pois, que num clique tudo venha a terreiro; ah que d’el Rei que estamos insolventes. Quanto às empresas privadas; porque sujeitas a “n” coletes-de-forças - não sendo aceitável; compreende-se. Mas as empresas públicas, os institutos públicos, as autarquias, e até o próprio Estado, é facto mais do que evidente, de que quem exercia a gestão estava na floresta e não via a árvore.

 

Todavia, o mesmo (não) se diga da mais carismática entidade desportiva do país – as entidades também têm carisma – a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) que amiúde salta para as páginas dos jornais – e não só -, acerca da qual é tecida razão de ciência; como se verdades absolutas fossem.

 

Quiçá, saberão esses opinion makers da sustentabilidade da FPF, que em 1992 estava tecnicamente falida. Isto é; o seu activo era inferior ao passivo. O que se fez ao tempo? uma reavaliação de activos tangíveis.

 

Saber-se-á que ao tempo nem tão-pouco havia um carro operacional; a não ser uma muito velha carrinha Peugeot (passe a publicidade) para o serviço da Presidência.

 

E, como eram os patrocínios? Uma lástima, da qual ainda subsistem litígios. Havia uma Federação onde todos mandavam (uma porcaria como disse ao tempo um eminente seleccionador, uma eminência que de tudo sabia, de futebol, de gestão, ou até de matéria de impostos? que abominava)

 

Uma FPF que teve de dar uma mão aos pequenos clubes endividados até ao tutano, de modo a garantir a sua actividade desportiva posto que o governo privou-os do fundo de sustentabilidade desportiva ao secar-lhes o totobola.

 

Uma FPF que chegou a ser, fiscalmente, contribuinte líquido (contribuía mais para o orçamento do estado do que deste recebia), mas sem instalações sociais e desportivas condignas aspirando à construir de uma casa das Selecções, que não chegou vias de factos porque a entidade que assegurou o espaço para o edifício nunca conseguiu coordenar as necessidades com a verbe.

 

Todavia, sempre que ocorriam eleições autárquicas, a Almargem, acorria em romaria o putativo; aqui vai ficar a casa das selecções. O que fez? Nada.

 

Uma FPF, não menos verdade, onde todos sempre aparecem prá picture.

 

E hoje está melhor? Está. Mas teimosamente está sem um plano de sustentabilidade. E porquê? Porque teimarem em engordá-la com eminências que nunca nada geriram mas ali se apresentam como gestores de fina seda.

 

Então há alguma coisa a fazer? Há! Uma primeira necessidade será precisamente uma nova direcção que conceba um plano sustentabilidade em ordem a assegurar searas mais irrigadas, menos ervas daninhas, menos verbe, mais olhos que vejam a curto, mas também a médio e longo prazo.

 

Doutro modo o que teremos é mais, muito mais, seara seca. Por enquanto a FPF não está insolvente mas para lá caminha. Também é só já o que falta neste país!

 

Leiria, 2011.08.08



publicado por Leonel Pontes às 14:16
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