Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Quando nos quedamos defronte à caixinha que dizem ter mudado o mundo (por mim, já acabei - de há muito - com essa caixa de angustias). E, dizia quando nos sentamos defronte à televisão sem darmos por isso estamos a negar a nossa “integridade”, isto é; em vez de fazermos balanços positivos do que fora a nossa vida, passamos a construir cenários de “desespero” vendo só, e apenas, o terminus de uma vida. Questão interessante, para discussão em sede de gerontologia.

 

Por vezes, amigos dizem-me: agora deste para pensar velho? Não. Penso no que de facto é um ciclo inelutável; os da minha geração entraram no oitavo e último estágio psicossocial da vida; de Erikson. O estágio da reflexão do que fomos, do que deveríamos e/ou queríamos ter sido. E, pior do que isso, do que ainda vão fazer de nós!

 

Em Portugal, ultimamente temos dado conta de lástimas, nomeadamente quando se chega ao oitavo estágio da vida. Por isso não quero ver televisão. Só nos brindam com funestos prémios; gente a jazer há anos alimentando bicharada. Vivemos num mundo de abutres. Deixamos de ser humanos para passarmos a ser números, elementos estatísticos.

 

A nossa sociedade está doente, muito doente, tenho-o dito, escrito e apregoado, até. Aliás nada que não esteja à vista de todos, só que cada um põe os olhos onde quer ver. Porém, de quando em vez, esta nostálgica rotina é quebrada e alguma coisa de bom acontece. Aragens revigorantes!

 

Foi o que aconteceu um dia destes, aliás evento que já tem uma década; como se fosse um acto desobriga à qual ninguém pode faltar. Amigos que muito prezamos, uma vez por ano convidam-nos, para uma cerimónia de angariação de fundos para ajudar a suprir carências de instituições de solidariedade social.

 

Acto subsumido numa organização do Lions Clube sob os olhares sepulcrais de Melvin Jones fundador leonismo; um clube de leões, inspirados nas acções dos cavaleiros da Távola Redonda que reuniam sem chairman. Todos representavam todos; a igualdade, a perfeição, a rectidão, o respeito, a justeza e valentia na guerra e a lealdade na paz.

 

E foi nesta crença do bem-fazer que para além de havermos oxigenado a mente, numa diversão acompanhada pela música, boa música, uma música que consegue transmitir energia às sinapses que activam um corpo que já não é o que foi, mas é o que queremos que ele seja.

  

Encadernados como convém, pese embora a noite estivesse gélida, como há muito já não sentíamos, há hora agendada a turma marcou presença na degustação, temperada de amizade, alegria, confraternização e rodopios (e alguns uui, uuis; pés mais adormecidos acabaram por ser pisados) seguindo o compasso, ora em binário, ora em quaternário, quando não em três por quatro, lá se foi dançando noite dentro.

 

Chegados aqui, abalámos. Os galos, radiantes por haverem sido poupados, (ou esquecidos!) à festa, monocórdicos cantavam com vibrato; “e o arroz?”

 

Bem; o arroz fica para a próxima. Até lá vamos armazenando calorias. E até perguntava, não seria de queima-las, pelo menos, mais uma vez por ano? Um pezinho de dança é sempre muito revigorante; e ainda contribuímos monetáriamente para os que mais precisam!

 

Ah, e os jovens? Esses, poucos, também participaram, claro! Mas num ápice hão-de chegar do sétimo ao oitavo estágio, de Skiner, sem disso darem conta. O tempo na sua passada lenta, constante e inclemente, vai fazendo a justiça social; nem sempre a contento.

 

Enquanto isso, pró ano há mais, se formos convidados – e cá estivermos - lá estaremos! Bem haja.

 

 Leiria, 2012.02.14



publicado por Leonel Pontes às 15:56
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
mais sobre mim
Fevereiro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9
10
11

12
13
15
16
17
18

19
20
22
23
24
25

26
28
29


pesquisar neste blog
 
blogs SAPO