Sábado, 22 de Dezembro de 2012

Porventura estarei a escrever para o cesto dos papéis. Não obstante isso, sirvo-me deste espaço para deixar breve reflexão sobre o evoluir, negativo, da prosperidade portuguesa.

 

Por isso, pareceu-me oportuno trazer à reflexão Alvim Toffler, escritor “pensador” sobre o futuro. Decorria no ano de 1965 e Toffler escreveu o artigo “o futuro como modo de vida” que teve grande impacto, não só na América como em todo mundo. A partir daí jamais parou de escrever, e, no ano de 1970 publicou o “choque do futuro” e muitos outros daí por diante.

 

Nessa esteira, com frequência ouvimos políticos socorrerem-se da rácio, por vezes expressões feitas, daquele pensador. É de crer que nem todos o tenham entendido; em Portugal, claro! Porquanto, a partir do início da década de 90 o paradigma de sustentabilidade portuguesa, à falta de melhores origens, os governos procuraram a dita sustentabilidade numa cobrança de impostos com suporte em resultados futuros.

 

Mas, nem mesmo assim os governos encontraram fundos suficientes à gestão da coisa pública, e passaram a constituir endividamento; gastar agora e pagar no futuro. O cidadão insuficientemente informado pensava que estava a consumir riqueza produzida internamente.

 

Deu-se a ilusão de riqueza, quando na verdade o que se estava a acumular era endividamento e não prosperidade, endividamento que haverá de ser pago; ou agora, ou no futuro.

 

Negligenciou-se a verdadeira gestão do país, até que a coisa chegou a limites insuportáveis, como no-lo demonstra o gráfico do stock da dívida do Estado



Com efeito, hoje, dificilmente se consegue explicar ao cidadão, como é governar um país que não gera riqueza, que tem gastos ineficazes, o país que não promove o investimento, um pais de cidadãos desmotivados e com uma dívida que continua a crescer.

 

E perguntar-se-á e como havemos de resolver esta situação à qual se convencionou chamar de crise?

 

Tenha-se em atenção aquele slogan da euforia “grande noite, grande noite!”. Hoje, o slogan é outro, “grande dívida, grande dívida!”, sendo que uma noite negra poderá chegar a todo o instante. Porque não falamos. Não era melhor falarmos? Mas com sentido de responsabilidade?

 

Leiria, 2012.12.22

 



publicado por Leonel Pontes às 13:31
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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