Segunda-feira, 15 de Maio de 2000

 O povo costuma dizer que com o mal dos outros vamos nós bem ! Será que é assim?  Há males que de facto pouco ou nada nos apoquentam, mas outros há que são de fácil contágio e de efeitos funestos.  O SIDA é um deles e até pode pôr em causa a segurança mundial, foi o que Presidente da maior potência político-económica do mundo no-lo veio dizer, um dia destes. Ele está com medo e confessou-o lá do alto da sua cátedra de governante de um povo, que nada teme, nem tem medo de ninguém. A saúde da humanidade está ameaçada, é o que se pode concluir. 

 

A falta de dinheiro também é um mal e grave, bem como o é a sua utilização para além do razoável, ou do estritamente necessário. A saúde financeira de um cidadão, de uma empresa, de um país, de um grupo de países também pode ser uma grave ameaça mundial. Poder-se-ia, pois, dizer que remédios e unguentos, precisam-se. O que não falta neste mundo agitado, algo nervoso, cada vez mais desregrado e em estado assaz febril, são doenças que podem muito bem degenerar em convulsões, quiçá graves.

 

E vejamos, o euro, o dinheiro da Europa comunitária,  está na ordem do dia porque está doente, dir-se-à gravemente doente,  foi atacada por um vírus algo desconhecido e está cada vez mais anémico. Aparentemente não há razões para esta enfermidade, porquanto a economia dos países membros da união tem vindo a crescer, o desemprego tem diminuído e em Portugal até é preciso recorrer a mão d’obra externa, a inflacção parece estar controlada, embora a tendência no nosso país seja de subida. 

 

Com efeito, o euro, que muitos ainda não sabem muito bem o que é,  há muito que está em perda, e por causa disso nem é desejado e até começa a ser temido, constando mesmo que 26% dos portugueses andam assustados.  E, por via disto,  os negócios estão a sofrer dos efeitos de perda, nomeadamente aqueles que provêm de importações.  Como é sabido o busílis da questão reside na moeda de transacção, ou seja, no dólar que tenazmente se impõe ao euro. A generalidade das empresas fornecedores preferem celebrar os seus contratos em dólar com absoluto desprezo pelo euro, tratam-no com desdém.

 

Mas então o que falta?  As empresas funcionam, os negócios fazem-se, a rapaziada trabalha, mas o euro não se afirma e continua dormente.  Em princípio, faltarão as grandes figuras da política de uma Europa activa e trabalhadora, homens que possam dizer da sua razão de ciência, vendendo a realidade de um espaço económico, mesmo que para isso seja preciso dizer verdades, como seja, assumir claramente que o euro, por falta de adequada estratégia, não se consegue afirmar nos mercados fora da zona comunitária.

 

A saúde da União Europeia, algo por inconfessados interesses, pode estar ameaçada. Pergunto-me, teria Freud terapia para esta doença, para este pesadelo em que vivemos. Estamos, ou não, em condições para animar os trabalhos de implementação do euro na gestão comercial corrente e nas contas das empresas? Será que o projecto vinga?

 

Não se pode continuar a vender sonhos. Temos que descer às realidades.

 

Leiria, 15.05.2000



publicado por Leonel Pontes às 11:34
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
mais sobre mim
Maio 2000
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9
11
12
13

14
16
17
18
19
20

21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO