Sábado, 13 de Março de 2010

O país precisa de se encontrar. O frenesim instalado não leva ninguém a lado nenhum, antes pelo contrário. Para tanto, urge que se faça uma reflexão, séria e responsável à volta de algumas questões, quentes. Uma dessas, que parecendo nova, é velha, muito velha; tal seja o programa de sustentabilidade empresarial (para quem o faz!) mormente em períodos de crise. Este mesmo subsume-se num outro, o de estabilidade e crescimento (PEC) quando falamos não de gestão empresarial, mas em administração governamental.

 

E, desde logo, importa ter em conta que os portugueses nunca põem o dinheiro onde põem a verbe, isto é, a boca foge-lhe sempre para os direitos sociais, e destes ninguém quer abdicar! E, contribuir para estes é o que mais verberam. Ou seja, para garantir tais direitos o estado gere a despesa social, sendo certo que esta só pode ser garantida pela via dos impostos.

 

Mas, e repetimo-nos – e, repetimo-nos até no que aqui temos vindo a dizer, o que infelizmente já é uma realidade – o governo só poderá garantir tais direitos se tiver uma origem de fundos bastantes para sustentar a despesa social, actual e a assumida ao longo de muitos anos, sempre chutando-se para a frente a insuficiência de fundos. Com efeito, cabe perguntar; mas quem paga a conta social do estado? Só nós por via dos impostos, obviamente.

 

Contudo, com frequência ouvimos políticos, quase sem excepções, verberando sobre a questão, como se vivessem num outro mundo, procurando daí obter ganhos de voto. Que os obtenham, mas sim que digam com uma política de verdade como encontrar soluções de sustentabilidade, tanto para as famílias, como para as empresas e para o estado.

 

E, vejamos que este ano, por exemplo, as empresas têm duas taxas de tributação em sede de IRC, uma de 12,5% para todos os resultados até 12.500 €. E, uma outra de 25% para resultados superiores a 12.500 €. Dir-se-á que é um ganho pequeno, pois é! Mas não deixa de ser uma redução nos impostos. E, ainda bem. 

 

Todavia, a conta do estado social continua a aumentar, a conta da receita continua a diminuir, e dizem que deve diminuir mais. Mas, um dia, mais breve do que se possa pensar, o sistema ruirá, salvo se, se quiser atenuar a conta social do estado pagando, por exemplo, milionárias regalias e outros benefícios, através de títulos do tesouro. Não lhe achamos outro caminho!   

 

Leiria, 2010.03.10



publicado por Leonel Pontes às 18:12
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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