Terça-feira, 13 de Julho de 2010

O rating, assunto já aqui abordado, continua na ordem do dia, e por isso carece de atenção e sobretudo carece de discussão. Embora tenhamos a ideia de que, entre nós tudo é discutido; de facto assim não acontece. É falado - o que não é a mesma coisa – mas o rating nem isso!  

 

Tem-se falado muito das estradas sem custos para os utilizadores. Tem-se falado da falta de tesouraria das Estradas de Portugal. Tem-se falado, a destempo, da bondade ou malignidade do plano de estabilidade e crescimento (vulgo PEC). Fala-se e mostra-se na TV como fossem troféus de caça, empresas a falir a todo o passo. Neste último fim-de-semana falou-se muito da falência de mais outro banco – mas na 2ª feira já estava bom; foi só uma corrente de ar? – Tem-se falado muito de greves. Queimam-se energias mas fica tudo na mesma.

 

Aparentemente, o país está atento às situações. Contudo, do que é necessário discutir – e urgente, tão urgente hoje como o fora na nossa adesão à CEE - nem pio. Mas, dir-me-ão; se ninguém fala disso é porque a coisa não tem importância. Então não tem! Se tivéssemos a útil informação fornecida da matriz do rating estaríamos (e desculpem-me a brejeirice) todos rotos?

 

Edificou-se uma Europa, mas só em parte. O que havia de mais importante para construir ficou de fora do sistema de gestão da europeia da união. Ou seja! O continente europeu, a Europa dos vinte e sete sempre viveu bem com o saco do cadafalso enfiado pela cabeça abaixo. Nunca quiseram ver, nem isso alguma vez os amedrontou; onde estavam, para onde iam, de onde vinham, pouco tem interessado. Quanto mais às cegas, melhor o desempenho!

 

A Europa nunca foi capaz de construir um sistema de avaliação económica – de notação financeira - tal fosse para avaliar um agregado familiar, uma empresa, um grupo empresarial, um município, uma região autónoma, ou mesmo um Estado soberano.

 

Com efeito a Europa dos vinte e sete, pelo menos essa, deveria de ter tido o cuidado de criar um observatório económico, tal fosse uma agência de rating que apontasse caminhos, claros! Não, nada foi feito – aliás a gestão da Europa, está entregue a quem nunca geriu coisa nenhuma o que não deixa de ser bizarro. Mas será que temos de ser mesmo governados por palpite? –

 

São, pois, as agências de rating do novo continente que avaliam os entes económicos europeus, tais sejam a Standard & Poor´s (que já remonta a 1860) a Moody´s Investor Services ou a Fitch Rating. Se Portugal, se a Europa da União, se o continente europeu, tivessem – pelo menos uma - uma agência de rating por certos que bem conhecíamos as perspectivas – o outlook – com toda a certeza tal agências dar-nos-ia a conhecer a evolução do rating provável das grandes empresas, dos grupo económicos, das autarquias e até do Estado. E candeia que vai à frente alumia duas vezes. Falta-nos a candeia - o rating - caminhamos às apalpadelas!

 

Assim às cegas, não vemos nada. E diariamente, damos conta de estoiros económicos que nem sapos em chuvosas tarde de canícula. Ainda assim, continuamos a endividar-nos fazendo a mísera figura de ricos.

 

Leiria, 13.07.2010



publicado por Leonel Pontes às 16:38
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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