Domingo, 27 de Agosto de 2006

A gestão dos nossos dias dir-se-á que é moderna. Mas moderna porquê se os factores de produção são os mesmos de sempre; matérias-primas, fontes de energia, mão d’obra, etc. O que a torna moderna é um vasto conjunto de “palavrões”, por vezes, de difícil interpretação e quão difícil aplicação, posto que gerir continua a ser, tomar decisões em tempo: adquirir, organizar sobretudo organizar, transformar e vender.

 Mas entre esses palavrões o balanced scorecard é o do momento, está na moda. Esta coisa da gestão também é de modas. Mas o que é isso de balanced scorecard; é uma metodologia para medir a todo o momento desempenhos sobre estratégias implementadas em actividades económicas, quer sejam privadas, públicas ou outras, desempenhos assentes em quatro pilares: financeiros, clientes, processos internos, formação vs aprendizagem e crescimento. Ou seja, estabelecidos os pressupostos, têm de ser conhecidos os efeitos.

 E nós vamos em modas? Por vezes! Se comprarmos livros e conteúdos da especialidade, se participarmos em conferências e debates, já estamos a entrar na moda. E, isso produz efeitos; traz dinheiro? Poderá não trazer, mas trará mais clarividência nos actos de gestão; desperta realidades.

 Ainda assim, entre os pilares daquele balanceamento há um que ganha preponderância “os clientes”. Esta vertente nunca pode ser escamoteada, isto é, ou se têm clientes e se servem em ordem à sua fidelização ou sem eles não há negócio; daí advém a máxima “o cliente tem sempre razão”

 Mas, nem sempre as novas metodologias, nem a máxima de que o cliente tem sempre razão gozam de tratamento a contento por parte do fornecedor ou prestador do serviço, chegando-se a renegar a importância do cliente, afinal daquele que traz dinheiro; sendo que não raro tratados e vistos são à pai Adão.

 Há, com efeito, em cidadãos com capacidade e potencial para o investimento um “qualquer coisa de difícil caracterização”, dir-se-á até que estimulados são a nada fazer. Aliás, temores provocados precisamente pelos governantes que em vez de suscitar a confiança para o pequeno investimento mais se esforçam em içar bandeiras de temor. Isto é, o país precisa de clientes, ou dito de outro modo a máquina fiscal – inclua-se nesta as autarquias, posto que à luz dos novos normativos têm que melhor gerir impostos locais – precisam de clientes.

 Na verdadeira acepção das novas metodologias de gestão, como seja o balanced scorecard, não existem contribuintes, existem clientes. Clientes. A nosso ver é erro mal tratá-los na praça pública. Não se pretende que nada se faça. Nada disso, tanto mais que pagar e receber impostos é um dever de cidadania, mas tudo poderá e deverá ser feito por via de actos de gestão, diferentes e melhores, sem recurso ao show off político que pode trazer votos no imediato, mas enfraquece, ainda mais, o país para o futuro.

 Leiria, 2006.08.27



publicado por Leonel Pontes às 15:00
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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