Sábado, 09 de Maio de 2015

Entendo a liberdade como tudo o que podemos fazer do nosso tempo. Por mim ao fim de semana, sábado e domingo, utilizo o tempo reflectindo e escrevendo livremente; uma das coisas boas que a revolução trouxe ao nosso tempo. Sento-me ao computador e começo por escrever o quanto me foi dado observar durante a semana e sobre o que fui reflectindo.

Agora que acabo de me acoplar ao computador trazia em mente escrever sobre a responsabilidade social das empresa, ou mesmo sobre a responsabilidade social das organizações, ou até sobre responsabilidade organizacional, ou da sustentabilidade do país, atrelando estas reflexões ao desenvolvimento económico-social e à ética. Mas, depois de iniciar o bater de teclas e pensando melhor, mesmo antes de prosseguir na feitura do texto conclui que a crónica desta semana poderia ter por título não um daqueles que atrás refiro, mas antes um “não-não”. E continuando:

   Quem, nestes últimos dias, chegasse a este pequeno país, para o qual ainda há quem o confunda como uma província espanhola. Quem aqui chegou dizia; ficou com uma terrífica imagem duma gente que só fartas mordomias exige, como se ricos fôramos. Concomitantemente fomos também construindo cenários sobre um palco assente numa comédia protagonizada por gente controversa, gente que não pensa, gente que desconhece a vida do seu semelhante. Mas vamos adiante.

Como se sabe, logo a seguir à revolução o espírito vigente era o de permanente reivindicação, um tempo muito igual ao de hoje. E daí o que resultou? Resultaram assimetrias sociais. Mas ainda assim muita coisa mudou. Aliás, já o filósofo Eraclito dizia que não há nada mais permanente que a mudança. E de mudança em mudança o país continuou a empobrecer. E, hoje é isso mesmo que temos, um país pobre e endividado.

Nessas mudanças ou pseudomudanças nos idos anos de 2001 Portugal e a Europa discutiam caminhos de sustentabilidade e nessa senda o nosso Conselho Económico e Social produziu um documento onde “considera que a construção da União económica e monetária da Europa implica a construção de uma Europa socialmente coesa, baseada no conceito de desenvolvimento sustentável e nos princípios matriciais da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, que aqui se assume como quadro de referência de toda a matéria” documento aprovado em plenário de 17 de Janeiro de 2003, do Conselho Económico e Social oportunamente apresentado na União Europeia e no qual Portugal assumia uma obrigação dita de “a responsabilidade social das empresas” Reflectindo hoje sobre aquele damos conta que é só às empresas tudo se pede. E vejamos que a responsabilidade social é cometida às empresas quase que como um desígnio filantrópico. Mas é esse o caminho? Ou o desígnio não deveria ser subsumido numa responsabilidade social das organizações na assunção de sãs práticas de gestão socialmente responsáveis num vector de sustentabilidade das organizações. O que são os partidos, os sindicatos, associações de classe e patronais, ONG não são organizações que devem de ter entre si os melhores líderes, gente que pensa a sociedade e não em si, gente que procura caminhos para a construção e desenvolvimento para um país de liberdade sem submissão a interesses pessoais onde a liberdade de uns é a submissão de outros; ainda assim nem estaria mal, não fossem os outros terem de suportar os custos dos beneficiados à imagem de um instituído acto filantrópico. Enquanto isso teimam em não querer ver que estão a contribuir para organizações que inelutavelmente definharão a curto/médio prazo.

E já agora que se abriram portas para novas mudanças de líder no CES não seria o momento de repensar a “responsabilidade” o que à priori vemos como uma enorme vantagem competitiva para o país, bem como as organizações. O caminho que tem vindo a ser trilhado não nos leva a bom porto, nem aeroporto seguros.

Leiria, 2015.05.09



publicado por Leonel Pontes às 16:45
A participação cívica faz-se participando. Durante anos fi-lo com textos de opinião, os quais deram lugar à edição em livro "Intemporal(idades)" publicada em Novembro de 2008. Aproveito este espaço para continuar civicamente a dar expres
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