Quarta-feira, 19 de Outubro de 2016

Em Outubro de 1997 dei à imprensa o texto “Um nascimento há muito anunciado ocorrerá a 1 de Janeiro de 1999, nesse dia a Europa dará à luz uma moeda, o euro, a unidade monetária da União Europeia.  A mãe já se sabe quem é, é a velha,  a velha Europa. O  pai é que ainda ninguém sabe quem é, ou vai ser. Embora haja para aí uma rapaziada que, desde já, vai adiantando não ter quaisquer culpas no cartório, outros nem se importam que digam que ali há um espirrozito seu, outros querem mesmo que se diga que sim, que foi de facto com o seu mérito que a coisa pegou.  Uma questão das mais intrincadas que já alguma vez a arrefecida Europa  teve de resolver.”

Decorridas, praticamente, duas décadas volto a reflectir sobre o assunto e nessa esteira sou a dizer que, inelutavelmente o século XXI ficará para a história como o século do divórcio desse tão desejado casamento que teve e tem por trave mestra a concepção dum filho o “euro”, agora se vê foi concebido às cegas em que cada um dos membros dessa desajeitada união foi ocasionalmente, ou talvez não, fecundante.

Porém, hoje todos dizem que não era bem isto que desejavam. Mas quem é de facto o pai? A mãe sabe-se que a contragosto é a Europa da União. O filho não é um “exposto“ mas assim está sendo tratado, todavia tem registados 28 cofecundantes, havendo sexuado em períodos diferentes, a partir do acto solene ocorrido na Holanda em 1992 por via do Tratado de Maastricht.

Contudo, nem todos os aderentes da acreditaram na concepção da Zona Euro, sendo que alguns dos subscritores do Tratado logo puseram o rabo de fora como foi; o Reino Unido que desde logo exerceu o “opting out” e, outros mais seguiram na sua roda como seja Bulgária, Hungria, Polónia, Suécia, República Checa, Roménia, Croácia; e Dinamarca.

Durante os períodos de infância era crível que chegados à adolescência do “euro” já tivesse rumos traçados, porém, em vez disso, ocorreram muitas divergências como foi a tentativa de expulsão, da Grécia, como se lembram o Grexit, pelo meio consumou-se uma saída em negociação de forma, o Brexit e já se fala de uma outra queda, o Frexit. A França não terá capacidade de suprir as lacunas deixadas pela Grã-Bretanha. Por sua vez Alemanha já anda a asnear. Veja-se o caso do Deutshe Bank.

Em suma quem terá a capacidade de assegurar a contribuição liquida para o equilíbrio do grande orçamento europeu? Mas os ingleses ganharam ou perderam com o desenlace. Sem dúvida estão a perder, senão veja-se a desvalorização da libra (parece que já vai nos 17%). Todavia seguindo uma máxima do exercício musical “quem paga aos músicos escolhe a música” E, é isto que os ingleses estão a fazer. Poderiam ter forçado reformas estruturais, contudo optaram por precipitar o divórcio do século XXI.

Leiria, 2016.09.19



publicado por Leonel Pontes às 19:35
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